Filosofia Wireless
por Celso Candido
@ 1. A verdade última. - Se não tens uma obra, nada és, nada serás...
@ 2. Filosofia e diálogo. - Filosofia é, em primeiro lugar, diálogo. Diálogo de si com o mundo, de si com o outro, de si consigo mesmo. Diálogo com o silêncio. Diálogo vivo da alma em movimento. Foi esta intensidade própria ao diálogo que, segundo Platão, perdeu-se com o advento da palavra escrita sobre o papel. Da palavra estática sofista.
@ 3. O pior erro. - Existe erro pior do que enganar-se de amigo? Do que confundir o inimigo com o amigo? Só talvez não ter inimigo algum...
@ 4. Morte e vida 1. - Não confundir o pensamento da morte com a própria morte – lição número um para os amantes da vida.
@ 5. Morte e vida 2. - Grande parte da experiência da vida é o aprendizado da morte. É viver para morrer. Como viver para morrer da melhor forma possível? Como viver para deixar às gerações futuro um exemplo? uma obra? uma vida? Não há vida sem morte.
@ 6. Nosso mundo. - Então, o que se tornou o mundo em que vivemos? Uma carnificina silenciosa; ou melhor, silenciada. Um horror cotidiano onde a vida e a morte se confundem e, para ninguém, o dia de amanhã é certo. O incerto da violência crescente, dos excessos da vontade de poder, da prepotência e mesquinharia avançam a passos largos... apesar de todo o gênio humano.
@ 7. Metafísica da ficção. – O Ser é ficção . Viver, pensar, imaginar, desejar, projetar são invariavelmente ficções. Ficções de uma mesma e única grande ficção .
@ 8. Complexidade cibernética. - Na sociedade da complexidade nenhuma solução será simples. A complexidade do tempo e do espaço, a complexidade da comunicação e do conhecimento – para ficar entre os mais evidentes. Naturalmente, um problema complexo, como são os problemas da sociedade complexa atual , não pode encontrar uma solução através de métodos simples. É neste contexto que a cibernética torna-se uma das mais importantes ciências contemporâneas, desde que realmente desejamos solucionar problemas complexos utilizando ferramentas e métodos complexos.
@ 9. Criatividade produtiva. - O que a é criatividade? Ela é, em primeiro lugar, um fenômeno emergente. Da emergência, para ser mais preciso. A criatividade faz emergir o que antes não existia, não havia sido realizado ainda. A questão organizacional institucional, mas também talvez existencial, é da criação de padrões de criatividade . Mas com o cuidado de que ao tornarem a criatividade produtiva, organizativa, não barrem o seu livre desenvolvimento.
@ 10. Trabalho e riqueza hoje. - Sem dúvida, parece que as noções herdadas dos dois últimos séculos sobre o trabalho estão a ponto de transformarem-se, ou melhor talvez, de se tornarem completamente visíveis. A complexidade da sociedade, de seus produtos e mercados de consumo, o CMI, as novas formas de comunicação interplanetárias, os grandes redutos de pobreza e miséria, os mercados continentais e intercontinentais, os limites concretos dos estado-nações, apontam para uma nova compreensão do trabalho enquanto atividade produtiva criadora de riqueza e valor social. O trabalho, desde pelo menos o fim da “economia da guerra” até a “economia industrial e comercial” e da sociedade pós-moderna, sempre foi uma grande fonte da prosperidade e da riqueza de indivíduos ou nações. Uma vez encerrado o ciclo produtivo da guerra como modo hegemônico de relação econômica e social o trabalho tornou-se o instrumento principal desta relação. O trabalho e o comércio que são correlatos um ao outro é um modo de produção pacífico, mesmo que, para o indivíduo ele seja um bem sofrível, como atesta a poesia de Hesíodo e seu árduo trabalho no campo, nos primórdios da civilização agrícola. Através do trabalho e do comércio os homens percebem um modo mais vantajoso de obterem o que desejam, na medida em que, fruto do suor de seu rosto, o trabalho é o meio do comércio pacífico no qual ganha-se menos talvez, mas em compensação não se corre mais o maior risco quando do intercâmbio guerreiro, o de perder a vida. “A guerra é o impulso, o comércio o cálculo” - diz Benjamin Constant. Na guerra corremos o risco de ganhar muito, mas também de perder tudo, a vida. Seja o trabalho escravo, feudal, artesanal, industrial ou pós-industrial nas sociedades de intercambio comercial livre e pacífico o trabalho torna-se o modo hegemônico de produção de riqueza e valor individual e social. E quanto mais este trabalho torna-se imaterial, intelectual, menos importante torna-se o exercício da força física humana. O ciclo do Prometeu acorrentado está definitivamente acabando.